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Parkbeat. À procura da batida perfeita para Lisboa

O terraço do Park começou a entrar pelos olhos e pelos ecrãs há cinco anos mas a linguagem do hip-hop que caracteriza a maioria da programação só veio depois. “Aconteceram várias coisas em paralelo. Houve uma festa da Montana [loja de material para writers] que foi um estrondo e fez soar algumas campainhas. Acabou por ser o ponto de partida, meio intencional, meio espontâneo”, recorda o programador João Pedro Moreira, que como DJ se apresenta como Best Boy Grip.

Victor Gill Ramirez

Diariamente, passam ou passaram pelo Park nomes referenciais da cultura do hip-hop em Portugal como Glue, Nel’Assassin, Kwan, Big, convidados pontuais mas expressivos como Branko ou Sam The Kid e figuras emergentes como Shaka Lion. Este ano, o Park deu um primeiro passo para alargar horizontes ao inaugurar a editora Parkbeat com um primeiro EP de DJ Glue com participações de Carlão, Karlon, Dino D’Santiago, Sir Scratch, Beatriz Pessoa e Rita Vian, e vídeos da Solid Dogma, agência à qual está ligado Vhils. “A editora surge por vontade de exponenciar os produtores. Temos vários dentro das nossas portas”, explica.

Victor Augusto Gill Ramirez

Amanhã, o Park sai de portas e faz do Capitólio a segunda casa. A primeira Parkbeat Legends completa o triângulo entre casa-mãe, editora e festas. “O Park é bom para muitas coisas mas peca para outras, quando queremos fazer algo maior”, justifica João Pedro Moreira

A festa afirma “a relevância cultural que o Park quer ter para a cidade” e é construída de baixo para cima, isto é, não só com DJ omnipresentes na agenda do Park como Glue, Nel’Assassin, Kronic, Kwan, Big e Isac Ace, como um convidado histórico do hip-hop americano. “Uma boa festa de hip-hop com os melhores DJ e a cereja no topo do bolo”, descreve. Jazzy Jeff, o não-cabeça de cartaz, o cúmplice de Will Smith no “Príncipe de Bel Air” que, por vir da televisão, “precisou de conquistar o respeito” dos outros DJ. “O melhor que ele fez foi depois da série”, adverte João Pedro Moreira. “Foi quase como se tivesse começado numa boys band. Ele teve que criar uma reputação depois”, justifica. E criou mesmo já que, nunca perdendo a ligação e amizade com Will Smith, foi reconhecido por produtores de referência como DJ Premier e J Dilla

“Termos alguém que está ligado a esta cultura desde o início era muito importante”, defende. “Esta festa e a programação do Park estão mais ligadas às raízes. Alguém tem que fazer o papel de trazer conhecimento a MC e DJ. O Jazz Jeff assume esse papel de instruir. Se for preciso, ele vai buscar um sample (excerto) de uma música conhecida e toca no meio do set”, descreve. “Estamos a falar de uma cultura que é americana e está ligada a muitas outras questões. Na forma de estar e até de reivindicar. Para os nossos DJ é uma referência. Sente-se um nervosismo engraçado”, antecipa João Pedro Moreira que faz questão de frisar que Jazzy Jeff, apesar do peso histórico e do estatuto internacional não é o cabeça de cartaz

Estão prometidos alinhamentos e performances diferentes das habituais entre os DJ locais. Por exemplo, os históricos Kwan e Kronic terão como convidados Carlão, Sam The Kid, Chullage e Mundo. Sem querer desvendar demasiado, o programador anuncia que o set, “apesar de percorrer temas icónicos do hip-hop português”, não será “uma retrospetiva” e está “equilibrado com o moderno”

Os discos estarão nas mãos dos Beatbombers, a dupla vencedora de campeonatos do mundo de scratch, DJ Glue, Nel’Assasin e os novatos Mazarin, de Beja, descobertos aleatoriamente por João Pedro Moreira

“Conheci-os de forma bastante informal”, recorda. “Na rua. Estavam a tocar um tema do J Dilla. Fiquei espantado. Apaixonei-me de imediato e falei com eles”. Os Mazarin editarão pela Parkbeat Records que também assinou DJ Riot, dos hibernados Buraka Som Sistema. “Sempre achei que havia uma lacuna de músicos de jazz com ligação ao hip-hop, que são dois universos tão próximos”, observa

No Capitólio, os alentejanos não só irão interpretar uma canção de J Dilla, como todo o concerto será sustentado pela obra do mágico de Detroit, um dos produtores cruciais do hip-hop desde os anos 90 para cá que, em 2006, três dias após o 32.º aniversário, morreu de ataque cardíaco fulminante quando se encontrava em casa

O pulsar do Park não vai abrandar depois. Esta será a primeira Parkbeat Legends…de 2018. “Posso dizer que ainda este ano haverá outra”, adianta João Pedro Moreira. Sem periodicidade regular. “Não estamos pressionados. É quando tiver de ser. Por exemplo, esperámos pelo momento certo para trazer o Jazzy Jeff. Ele estava marcado, depois desmarcou e finalmente confirmámos”. E os bilhetes devem mesmo esgotar antes de as portas do Capitólio abrirem às 16h00

Até há poucos anos, eram raras as festas ou noites de hip-hop em Lisboa. Hoje, são o novo normal. Para João Pedro Moreira, há uma transição do “hip-hop para o pop. São as dores de crescimento…”

 

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