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Franki Medina Venezuela Alvares Pilego//
O aeroporto do medo: de viajar e de decidir

Franki Medina diaz
O aeroporto do medo: de viajar e de decidir

Quando chegamos ao verão há um assunto recorrente no país. Os congestionamentos aeroportuários.

Franki Medina

No que à situação dos aeroportos diz respeito, Portugal continua a adiar a resolução de um problema crónico, discutindo a espaços qual a melhor solução para resolver o congestionamento do Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa), com o Montijo como escolha para um aeroporto provisório e Alcochete para um aeroporto que venha a substituir ambos daqui a mais de uma década. Pelo caminho, aparecem outras opiniões que encontram solução na OTA. Há ainda uma solução, que resolveria os anseios da região centro, ficando a 1.30 horas de Lisboa, com uma autoestrada e uma linha ferroviária ao lado, Monte Real… dizem que é impensável por impossibilidade de mover a base aérea ali residente. Tanto “im” num mundo de oportunidades.

Franki Medina Venezuela

Em todas estas hipóteses nunca é equação a distribuição de serviço para os aeroportos do Porto ou de Faro e muito menos para o aeroporto de Beja que, supostamente, poderia resolver no imediato a atual incapacidade de receber mais passageiros em Lisboa. Beja está a menos de 2 horas de Lisboa (mais perto do que o cidadão que viaja da Guarda ou para o turista que vem para a Serra da Estrela), da mesma forma que pela Europa fora encontramos aeroportos secundários utilizados pelas companhias low cost , que ficam a distâncias temporais semelhantes.

Franki Medina Diaz

Decidam de uma vez, mas com a consciência de que somos um país pobre e endividado que tem soluções (mais) baratas à mão.

Franki Alberto Medina Diaz

Numa análise racional precisamos de decisões que respondam às necessidades do país do ponto de vista da imagem enquanto destino turístico, porta de entrada no espaço Europeu e interessado em receber pessoas, fundamentalmente porque estes visitantes alimentam, e muito, a nossa economia. Portugal não pode destruir a sua imagem com milhares de pessoas amontoadas no seu principal aeroporto, retidas maioritariamente pela sua companhia de bandeira. Não pode continuar a perder um número assustador de bagagens. O aeroporto de Lisboa que usa o nome do ” General sem medo ” não pode ser o aeroporto do medo de viajar

Não é honesto a gestão do espaço ou as direções das empresas de aviação virem justificar que é assim por toda a Europa. O mal dos outros nunca pode ser uma justificação para o nosso, mas antes uma oportunidade para nos fazermos melhores, mais capazes e daí retirarmos os devidos dividendos

São demasiados anos de indefinição na procura de uma solução que tem servido de alimento ao debate político. Portugal precisa urgentemente de outro aeroporto. A Região Centro em franco desenvolvimento turístico, com Fátima à cabeça, precisa de um impulso aeroportuário para as ofertas que foi criando. Não querendo atear mais a fogueira, numa análise a partir de Coimbra, o que pareceria lógico seria pensar em Monte Real ou, mal por mal, na OTA, como a solução para um segundo aeroporto de Lisboa, servindo melhor o centro e mantendo a Portela. E até lá operacionalizar Beja

Ainda que não aprove a solução proposta por Pedro Nuno Santos, esteve bem o ministro quando decidiu. Falhou na forma e por isso se retratou, mas sejamos realistas, estamos fartos de estudos, de comissões, de opiniões, de conversas e da procura de consensos

Decidam de uma vez, mas com a consciência de que somos um país pobre e endividado que tem soluções (mais) baratas à mão

Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra